04
Out
10
Feliz dia das Crianças... que fumam?
Você fuma?
E quando você começou você decidiu que seria fumante por toda a vida?
Você decidiu que iria levar a vida fazendo tudo com um cigarro nas mãos?
Você foi informado que iria precisar de um cigarro após tomar um café, após uma
refeição, ao receber uma notícia boa ou ruim, ao sair, ao entrar, ao atrasar, ao
celebrar, ao dirigir... ao viver?
Você já se imaginou sendo uma pessoa que jamais fumou um cigarro em sua vida?
Parece um sonho, não?
Passaram-se décadas e você não parou ainda.
E quanto aos seus filhos e netos? Tudo bem se eles se tornarem tabagistas como
você tem sido? Tudo bem para você?
Por que para mim, não é tudo bem!
Eu fumei por quase 3 décadas. Meu pai fumou por quase 4, morreu aos 57 sem ao
menos conhecer sua neta, minha filha.
Saber que há um exército de especialistas em marketing usando de todos os
recursos para que nossas crianças conheçam o cigarro o mais cedo possível e
estejam prontos para nos substituir como cliente, assim que adoecermos ou
morrermos, me é muito sórdido.
Para essa mesma indústria, eu substitui o consumidor, meu Pai.
Vejo que lá do meu tempo, década de 80, pra cá, pouco mudou nos apelos para
que os jovens experimentem um cigarro, a promoção e publicidade, que associam
o tabaco às imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência e outros
atributos desejados especialmente pelos jovens, continuam os mesmos, mais
afiadas e eficazes ainda.
O marketing de cigarros, a tecnologia em que se aperta um botão e o sabor
do cigarro muda, suas marcas bacanas e as embalagens irresistíveis junto ao
público jovem é sucesso garantido nos esforços de garantir público futuro.
Nós não escolhemos ser fumantes por décadas a fio. Nós experimentamos
inocentemente às escondidas cigarros filados, sem a menor idéia da profundidade
da armadilha que nos aguardava, e quando nos demos conta... já estávamos
inertes à força do hábito de fumar sistematicamente, diariamente.
E eu não acho que nossas crianças estejam mais bem preparadas que nós
estávamos. Acho que continuam suscetíveis como éramos e, seduzidas, vão
experimentar inocentemente os primeiros cigarros roubados, como nós fizemos, e
acordar 30 anos depois atolados na mesma armadilha.
O marketing do tabaco continua tão glamoroso que, ainda que muitas pessoas
tenham experiências terríveis da devastação feita pelo cigarro em suas próprias
famílias, elas não se revoltam e continuam tratando o assunto tabagismo como
um “mau hábito” um “costume feio” ou uma “falta de vergonha”.
Ignoram o dolo claro que caracteriza a produção e comércio de substâncias capazes
de sujeitar uma pessoa ao seu consumo por uma média de 30 anos.
Sim, o dolo ocorre quando o indivíduo age de má fé, sabendo das consequências
que possam vir a ocorrer e o pratica para, de alguma forma, beneficiar-se de algo.
Na prática descarada do dolo estão a indústria do tabaco e igualmente os governos
que as permitem em seus territórios. Os governos cometem uma falha ainda mais
grave, pois têm a incumbência de proteger e zelar pela saúde dos seus cidadãos e
não o faz. São coniventes e omissos visando o lucro!
Seduzir os jovens faz parte de uma estratégia adotada por todas as companhias de
tabaco, visando reabastecer as fileiras dos que deixam de fumar ou morrem, para
outros consumidores que serão aqueles regulares de amanhã.
Quando você vai pagar o seu combustível no posto de gasolina e leva seu filho
junto para pegar um suco, aquela estante incrível por trás da moça do caixa já está
cumprindo a função dela: seduzindo, fazendo-se marcar na memória, suavemente,
despretensiosamente.
Que eu tenha entrado nessa vá lá, agora meus filhos, meus sobrinhos, meus
netos... Ah, se eu puder evitar!
Eu tento. Eu Parei!
Feliz dia de crianças com melhores opções de escolha para fazer ao longo de
décadas.
Autor: Vera Mendes - Pinhais, 01 de outubro de 2010
Leia mais sobre os arquivos secretos da indústria do tabaco acessando o link:
http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?
item=atento&link=arquivos_secretos.pdf
Fonte: Vera às 13h46m